Controle Absoluto
Ontem fui até o Méier, um bairro tradicional no subúrbio do Rio de Janeiro, para quem não conhece. A orígem foi Campo Grande, Zona Oeste do mesmo município. A viagem não deveria durar mais de 40 minutos, escolhemos a que seria a melhor rota, o horário não era dos piores e o veículo estava em perfeitas condições de uso.
Até o segundo terço da viagem tudo corria dentro do previsto, até que nas proximidades de Cascadura, um bairro já próximo ao Méier, o trânsito simplesmente parou. O calor era intenso e à medida que esperávamos víamos o tempo passar. A energia se esgotava, a paciência era testada e as gotas de suor se multiplicavam no rosto gerando uma incômoda sensação de impotência e cansaço.
Havia alguém nos esperando no destino, havíamos previsto um horário para a chegada que agora já havia sido extrapolado em muito, restava-nos apenas esperar, esperar que o trânsito avançasse, que um caminho alternativo se nos apresentasse, que alguma coisa nova e boa acontecesse em nosso favor.
Essa desagradável experiência vivida por mim desencadeou uma profunda reflexão a respeito da existência humana, seja ela física ou espiritual.
Quantas vezes fizemos planos, projetos, projeções que simplesmente pararam nos engarrafamentos da vida. Aquela promessa de emprego, aquela pessoa que prometeu fidelidade em qualquer circunstância e que nos decepcionou na primeira oportunidade. A enfermidade, pessoal ou de um ente querido, que nos forçou a dar um "stop" na faculdade, na viagem tão sonhada, nas férias que seriam inesquecíveis - e foram de certa forma por não terem acontecido - enfim, hora de parar, de esperar, de refletir e de acreditar.
Acreditar que por mais sufocante e causticante que seja o clima haverá um refrigério, que após um rigoroso verão virá um outono e depois um inverno, e ainda que o verão volte, e voltará, estaremos mais fortes para enfrentá-lo.
Precisamos entender que o tempo não é nosso, que devemos sim, remi-lo, utilizá-lo com sabedoria cronológica, mas que o nosso cronos está subordinado a um kairós, o kairós de Deus. Há uma sabedoria maior e porque não dizer, a um amor maior, que direciona e coordena a nossa partida e a nossa chegada, e que se às vezes somos obrigados a parar e porque não voluntariamente paramos, se somos instigados a andar é porque excessivamente paramos, e se em algum momento não entendemos os porquês é porque somos o que somos, homens falhos e frágeis dependentes de um Norte para nos orientar.
Apesar de as coisas não terem acontecido como eu planejara, elas aconteceram e isso é o que importa. Neste momento estou escrevendo do aconchego do meu lar, fui e voltei e Deus me guardou, no seu tempo e em seus braços fortes, sorri e chorei e Ele sempre esteve por perto, ora me alegrando, hora me consolando, enxugando-me as lágrimas, e hoje posso e poderei sempre dizer como disse o salmista Davi: "Eu me deitei e dormi, acordei porque o Senhor me sustentou", "Em paz me deitarei e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança". O melhor dessa experiência foi que despertei para algo importantíssimo para minha vida: "Deus está no controle", deixe-se controlar por Ele.
Ev. Alberto Saylor.